quarta-feira, 21 de outubro de 2009

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Já repararam que todas as histórias começam com um "era uma vez..." ou "tudo começou...". Pois bem, esta começa com "tudo acabou...", não "tudo não acabou..." ou será "tudo o que devia ter acabado..." Bem na verdade, não sei ao certo qual o melhor começo. Estou indecisa.
Esta não é a história, é uma história. Uma sem idade, sexo, grau de escolaridade ou estrato social. Cada um que a encaixe em quem melhor se lhe adapte.

Quando estava fora, ausente, a muitos kilometros de distância, percebi que tinha tomado a opção certa. Não podia continuar a viver naquela ilusão.
Se passavam dois dias sem me veres, ao terceiro abraçavas-me como só tu sabias e não paravas de sussurrar "por onde é que andaste? já tinha tantas saudades tuas!". Mas naqueles meses, não recebi nenhum abraço, telefonema, sms, email e muito menos um postal ou uma carta. Sim, porque hoje em dia, já ninguém tem pachorra para pegar numa caneta, escrever a contar as novidades como antigamente, fechá-la num envelope, pôr um selo, colocá-la nos correios e esperar que chegue ao destinatário. Isto das novas tecnologias é muito bom. Podemos comunicar em tempo real e sem espera. Mas a carta tem outro sabor. Já tenho saudades de receber uma carta.
Quando voltei, disse para comigo que estava "curada".Vinha renovada, com novas experiências e outras vivências. Absorvias tanto de mim, as minhas energias estavam tão concentradas em ti, para e por ti, que me esquecia do mundo lá fora. Quando não estavas não era a mesma coisa. Era como se aqueles momentos fossem vividos a meio gás. Mas agora, a coisa ia ser diferente.
Não te liguei, não te informei que já tinha pisado solo português. Ficaste todo o verão sem me pôr a vista em cima. Sei que perguntaste por mim a amigos em comum, mas alguns também não sabiam por onde andava. Tinha decidido afastar-me e esquecer-me da tua marca.
No fim do verão, voltei a ir-me embora. Nos primeiros dias recebo o teu único e último sms onde mais uma vez me perguntavas "onde é que tens andando?já tenho tantas saudades tuas!". Mas desta vez soou-me mal. Soube-me a azedo. Decidi testar-te e reprovaste no exame. Sim fui-me embora, mas não desapareci do mapa, apenas mudei de país. Tinhas passado meses sem dar sinal de vida e num minuto qualquer, de um dia algures no Outono, foste capaz de te lembrar que tinhas saudades minhas.
A partir daquele dia nunca mais te telefonei. Nunca mais te mandei uma sms ou um email. Da tua parte também não recebi nada. Só um beijinho que mandaste através de uma amiga quando a encontraste na noite. Não percebo como é que se pode esquecer ou fingir que se esquece alguém que fez parte da nossa vida durante tantos anos. Como o quanto éramos especiais um para o outro, sem nunca termos assumido nada e pouca gente saber da nossa química. Talvez a culpa também tenha sido minha. Fui demasiado branda e de repente fartei-me das tuas constantes desculpas alcoólicas para tudo. Sim porque tu dizias-me "sabes que eu gosto muito de ti, não sabes? Mesmo muito..."
Nunca te disse nada e provavelmente não o chegarás a saber. Não sei se o que havia acabou ou não. Não se pode acabar algo sem lhe pôr definitivamente um ponto final. E, muito sinceramente acho que na nossa pontuação ficou uma vírgula. Uma coisa é certa, hoje não passas de uma recordação, os meus sentimentos mudaram e as minhas vontades também.
Amanhã, se por acaso, nos cruzarmos de novo, logo se verá. Talvez possamos recomeçar uma nova amizade, em que possamos compartilhar e falar sobre o sexo oposto sem entraves, ciúmes ou medos. Ou talvez não...

*Não se esqueçam que isto é apenas uma história, entre muitas que diariamente começam a ser escritas sem saber que final irão ter.

16 comentários:

bono_poetry disse...

muito interessante o teu blog,muito interessante a tua historia ,incrivel como a vida e finita no seu fim mas tao desconcertante no seu caminho nao e?

Olhos Dourados disse...

Gajos...

Anjo De Cor disse...

Uma história de desencontros...
Bjs*

Anjo De Cor disse...

Malinha só por curiosidade qts pares de botas tens?

heheheheheheheh

Anónimo disse...

AMEI!
Que história,escreves mesmo bem sabes?já te devem ter dito ;P
beijinhos de uma leitora diária*

Demóstenes disse...

Gostei da forma simples, porém atractiva e correcta, como escreves.

ADEK disse...

Adorei ler esta "uma" história!*

Mau Feitio disse...

Uma história que pode mto bem ser a historia de mta gente.

Não mudei o link

Cat disse...

Excelente post, querida. Tantas vírgulas que ficam em lugar de pontos finais.. e que fazem as histórias de anos arrastar-se tantos outros anos... =$ Sei do que falas!

Beijo (: *

Anónimo disse...

Como todas, tb sei do que falas...mas FINALMENTE a vida me ensinou que gajos desses há aos pontapés...e o facto de não lhes pormos um ponto final e só uma vírgula, dá-lhes a liberdade para tudo (enviar a msg e voltar a criar borboletas na barriga, ter uma nova amizade connosco). Só te consigo dizer que nós gajas somos EXCELENTES nesta falta de auto-estima, de nos deixarmos ir pessoas às metades, desculparmos coisas sem desculpa mas depois reclamamos que são eles os feios, porcos e maus... Te garanto que a tua vida é tua e, só por isso, és tu e só tu que lhe pões um ponto final quando bem entenderes. O ponto final não é uma conversa com ele (nunca ficará esclarecido, acontece a todas..). O ponto final acontece na tua cabeça, quando perceberes que, por quereres ficar com um gajo de verdade, não queres este nem para saco do pão!!

Ao sexo feminino: "A quem se dá de corpo inteiro, não merece receber ninguém pela metade!"

Carla disse...

Gostei da história :)

É preciso muita coragem e determinação para se conseguir pôr uma vírgula numa relação desse tipo que tanto nos absorve!

BJS**

Malinha viajante disse...

bono_poetry: Bigada :)) A vida é uma autêntica caixinha de surpresas!!

Malinha viajante disse...

Anónimo(a): Bigada pelo elogio e pela fidelidade de leitora ;)

Malinha viajante disse...

Anjo de cor: Olha há pouco fiz uma arrumação geral no closet, incluindo calçado! Dei bastantes pares de sapatos, algumas botas. Fiquei com pouquinhas,agora tenho para aí uns sete pares ;PP

Malinha viajante disse...

Anónimo(a): Verdade, gajos destes há mesmo muitos e acredita que agora não o quero nem dado ou como referiste "nem para saco do pão".
A tua última frase resume tudo :))

disse...

Costuma dizer-se que os finais felizes são histórias inacabadas. Eu acho simplesmente que há momentos (não estados inquebráveis) de felicidade. Por isso aproveitemos cada bom momento e possamos aprender com os menos bons.

O que vem a seguir? Logo se vê..