
19.30h. Fim de tarde junto à praia antes do regresso a casa. Uns passeiam, bebem café na esplanada, outros correm e outros ainda piscam piscam. O meu olhar capta dois indivíduos sentados, simplesmente a observar as vistas. Costas curvadas, cotovelos junto aos joelhos e somente a cabeça roda de um lado para o outro, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda. O primeiro “com-estes-óculos-de-sol-e-blusão-à-Elvis-ninguém-resiste-ao-meu-charme”, moreno e muito provavelmente frequentador assíduo de ginásio, acompanhado pelo segundo “destes-ténis-e-meias-brancas-é-que-elas-gostam” loiro e muito provavelmente não frequentador de qualquer ginásio. Não falam, não trocam qualquer vocábulo, substantivo, adjectivo ou verbo entre eles. As cabeças essas sim, continuam da direita para a esquerda e da esquerda para a direita e piscam piscam. Sem êxito no local escolhido, minutos depois mudam-se. A menos de 10m, para um banco exactamente igual ao anterior e com a mesma vista. É desta que terão sorte, com toda a certeza. Ou talvez não. E com a chegada de um terceiro elemento, “com-este-ar-do-mais-mafioso-que-se-pode-ter-é-que-é” trocam umas quantas palavritas, levantam-se e vão-se embora.
Fico a vê-los, cada um ao seu estilo e mesmo assim ainda a observar a “área”, perderem-se da minha vista e a rir que nem uma perdida da esplanada atrás.